Quanto custa um inventário em São Paulo: na Justiça e em cartório, linha por linha
Quem pesquisa "quanto custa inventário" encontra faixas de "8% a 20% do patrimônio" sem tabela nem ano. Este guia monta a conta de São Paulo com a fonte de cada linha ao lado — pra você comparar com a conta de passar o imóvel em vida, que está em quanto custa passar a casa pros filhos.
Tudo abaixo vale para um imóvel urbano em São Paulo, com tabelas de 2026. É estimativa em faixa, não orçamento.
1. Os dois inventários
| Judicial (na Justiça) | Extrajudicial (em cartório) | |
|---|---|---|
| Quando cabe | sempre; obrigatório se há menor, incapaz ou briga | só com todos maiores, capazes e de acordo |
| Onde | processo no fórum | escritura pública num tabelionato de notas |
| Advogado | obrigatório | obrigatório (assina a escritura com as partes) |
| Prazo típico | meses a anos | semanas |
| Custas | taxa judiciária + despesas do processo | emolumentos da escritura |
A regra de quem pode ir a cartório é a Lei 11.441/2007, e as condições estão no Provimento CNJ 149/2023 (Código Nacional de Normas, arts. 288 e seguintes). Advogado é obrigatório nos dois caminhos: não existe inventário sem ele.
2. Linha 1 — o imposto (igual nos dois)
O ITCMD de São Paulo é 4% sobre o valor do bem (Lei 10.705/2000, art. 16), na herança ou na doação. Num imóvel de R$ 1 milhão são R$ 40.000. O estado cobra pelo valor de mercado; o valor venal do IPTU é o mínimo (arts. 9º e 13). Na herança, o prazo pra pagar é de até 180 dias da abertura da sucessão (art. 17); atraso custa 0,33% ao dia, até 20% (art. 19).
3. Linha 2 — a taxa judiciária (só na Justiça)
A Lei estadual 11.608/2003, art. 18, §7º cobra, antes da partilha, uma taxa por faixa do monte-mor:
| Monte-mor | Taxa | Em 2026 (UFESP R$ 38,42) |
|---|---|---|
| até R$ 50.000 | 10 UFESP | R$ 384,20 |
| R$ 50.001 a R$ 500.000 | 100 UFESP | R$ 3.842,00 |
| R$ 500.001 a R$ 2.000.000 | 300 UFESP | R$ 11.526,00 |
| R$ 2.000.001 a R$ 5.000.000 | 1.000 UFESP | R$ 38.420,00 |
| acima de R$ 5.000.000 | 3.000 UFESP | R$ 115.260,00 |
A planilha de custas do TJSP usa os mesmos cinco níveis. Sobre a taxa vêm despesas menores (porte, certidões, carta de sentença). Em cartório essa linha não existe — no lugar dela entra o emolumento da escritura de inventário, pela tabela do CNB/SP, que este guia não detalha porque depende do valor e do número de bens.
4. Linha 3 — os honorários (a linha que muda de tamanho)
A Tabela de Honorários OAB/SP 2026, seção 6, traz a referência da classe:
| Item | Inventário | Referência |
|---|---|---|
| 6.25 | extrajudicial (cartório) | 6% do monte-mor ou do quinhão |
| 6.23 a) | judicial, sem litígio | 8% |
| 6.23 b) | judicial, com litígio | 10% |
Num imóvel de R$ 1 milhão, isso dá entre R$ 60.000 e R$ 100.000. É referência, não obrigação: o que é obrigatório é o mínimo em reais da tabela, e o resto negocia. Mas é a única linha da conta que cresce junto com o valor do imóvel — e é por isso que ela decide a comparação com a doação em vida, em que o honorário de referência é um valor fixo (item 1.11, R$ 4.930,26).
5. A conta somada, em casos parecidos
| Imóvel | ITCMD (4%) | Taxa judiciária | Honorários (6% a 10%) | Total (Justiça) | Total (cartório, sem a taxa) |
|---|---|---|---|---|---|
| R$ 600 mil | R$ 24.000 | R$ 11.526 | R$ 36.000 a R$ 60.000 | R$ 71 mil a R$ 96 mil | R$ 60 mil a R$ 84 mil |
| R$ 1 milhão | R$ 40.000 | R$ 11.526 | R$ 60.000 a R$ 100.000 | R$ 112 mil a R$ 152 mil | R$ 100 mil a R$ 140 mil |
| R$ 1,5 milhão | R$ 60.000 | R$ 11.526 | R$ 90.000 a R$ 150.000 | R$ 162 mil a R$ 222 mil | R$ 150 mil a R$ 210 mil |
Fora da tabela: certidões, emolumentos da escritura ou do registro da partilha, e o tempo — meses a anos em que o imóvel não pode ser vendido nem financiado.
6. O que essa conta não diz
- Não diz que doar economiza imposto. Não economiza: 4% nos dois.
- Não diz quanto o seu inventário vai custar. Diz a ordem de grandeza de casos parecidos, com a tabela do lado.
- Não escolhe o caminho por você. Se vale passar em vida ou deixar pro inventário depende da família, do usufruto e de quem decide — e quem avalia isso é o advogado.
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Perguntas frequentes
Inventário em cartório é mais barato que na Justiça?
Em geral sim, e por dois motivos com fonte: não paga a taxa judiciária da Lei estadual 11.608/2003 (300 UFESP, R$ 11.526 em 2026, na faixa de R$ 500 mil a R$ 2 milhões) e a Tabela OAB/SP 2026 traz honorário de referência menor no extrajudicial (6%, item 6.25) do que no judicial (8% a 10%, item 6.23). Só cabe em cartório com todos maiores, capazes e de acordo.
O imposto do inventário é maior que o da doação em vida?
Não. Em São Paulo o ITCMD é 4% nos dois casos (Lei 10.705/2000, art. 16). O que muda entre os dois caminhos é o resto da conta: a taxa judiciária, quando é pela Justiça, e a forma dos honorários — percentual do patrimônio no inventário, valor fixo na doação.
Quanto custa um inventário de um imóvel de R$ 1 milhão em SP?
Em casos parecidos, somando ITCMD de R$ 40.000, taxa judiciária de R$ 11.526 (se for pela Justiça) e honorários de R$ 60.000 a R$ 100.000 pela referência da Tabela OAB/SP 2026, a conta fica entre R$ 100 mil e R$ 152 mil, sem contar custas menores, certidões e o prazo. Cada caso muda a conta; quem confirma é o advogado.
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